terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Honorável Poetisa



Professora, diretora escolar, redatora, produtora cultural, jornalista-liberal, conferencista, tradutora e, enfim, poetisa (ou poeta, como preferir). Ufa! Todas estas atividades foram realizadas por uma mulher, na primeira metade do século XX. Acrescenta-se a esta lista o ofício de esposa e mãe. É, no mínimo, admirável e invejável tudo o que Cecília Meireles fez numa época em que a maioria das mulheres era criada para ser somente esposa e mãe.
Deixando o olhar biográfico e feminista de lado, Cecília Meireles é o primeiro nome feminino de grande importância para a poesia brasileira. Artista inserida no período modernista brasileiro, sua produção é um marco para a literatura brasileira, posto que foi uma das primeiras mulheres a se destacar pela produção lírica.
Seu trabalho no magistério foi de extrema importância para a sociedade. Fundou a primeira biblioteca infantil do país, lecionou literatura e cultura brasileira em universidades no exterior e fez conferências sobre a literatura brasileira lá fora.
A poetisa tijucana recebeu inúmeros prêmios e honrarias, entre os quais os mais importantes foram: Prêmio de Poesia Olavo Bilac, em 1939; nomeação como Oficial da Ordem de Mérito do Chile, em 1952; Doutora Honoris Causa, em 1952; sócia honorária do clube Vasco da Gama, em 1953; Prêmio de Tradução/Teatro, em 1962 e Prêmio Jabuti de Tradução, em 1963. Nada mais justo que, atualmente, seu nome sirva de exemplo como uma das maiores personalidades da cultura/literatura brasileira. É possível constatar tal feito vendo seu nome batizando escolas, ruas e avenidas (aqui e em Portugal), bibliotecas e centros culturais. Teve até seu rosto estampado em uma cédula na época dos cruzados novos.
Embora não tenha escrito somente poemas, ficou mais conhecida por eles. Na literatura infantil, é bastante conhecida sua obra Ou Isto ou Aquilo. O Romanceiro da Inconfidência é outra obra que também ganhou bastante destaque como uma das mais bem construídas poesias históricas na nossa literatura.
Cecília Meireles é um exemplo a ser seguido e uma personalidade a ser admirada, pela sua vida e obra. Está na hora de o Brasil cultuar os ídolos certos.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Mosé, a musa da vida






Filósofa, psicóloga e psicanalista por formação; escritora, professora, poeta ( ou poetisa) por extensão da brilhante carreira de pesquisadora da vida. Essa é Viviane Mosé, uma capixaba mil e uma utilidades quando o assunto é a existência.
Pensar o ser humano rendeu-lhe muito sucesso, uma vez que Viviane popularizou as questões filosóficas seja apresentando um quadro no Fantástico (Ser ou não Ser), ou dando aulas para atores, ou ainda, fazendo palestras em empresas e em instituições, além de ter escrito vários livros sobre esta ampla temática que é a Filosofia.
Sua biografia abarca, também, poesia. Mosé fez parte da turma do Chacal, no CEP 20.000, um sarau de sucesso que acontece no Rio de Janeiro, no Espaço Cultural Sérgio Porto. Antes e depois desta experiência, nasceram Toda Palavra (2008), Pensamento chão (2007), Desato, (2006), Receita para Lavar Palavra Suja (2004), Escritos (1990), Imagem Escrita (1999), 7 + 1, Francisco Alves (1997).
Já na filosofia e na psicanálise, seus escritos foram intitulados de : A Escola e Os Desafios Contemporâneos (2013), O Homem que Sabe (2011), Nietzsche e a Grande Política da Linguagem (2005), Beleza, Feiúra e Psicanálise (2004), Stela do Patrocínio - Reino dos Bichos e dos Animais é o Meu Nome (2002), Assim Falou Nietzsche (1999).
A educação e a mulher são outros subtemas tratados pela escritora, filósofa, psicóloga, psicanalista e poeta (ou poetisa).
Hoje ela dirige a Usina Pensamento, “um núcleo de profissionais especializados dedicados à produção e difusão de conteúdos intelectuais, culturais e artísticos.” e é comentarista da Rádio CBN no programa Liberdade de Expressão.

Aprofunde-se, conheça-se, leia os livros de Viviane Mosé!

domingo, 18 de novembro de 2012

Muitas histórias para contar




“A Barbie ensina as crianças a serem putas”; “Acho que o grande problema das mulheres brasileiras é que elas são extremamente machistas”; “ Acho que o funk produziu um machismo de saias”. Você pode não concordar com estas frases, mas quem as pronunciou é autoridade máxima no assunto “comportamento feminino”: Mary Lucy Murray del Priore.

Ex- Professora de universidades de porte, como USP e PUC-RIO, vencedora de mais ou menos 10 prêmios – dentre eles um Jabuti - , pós-doutora pela Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales e mãe de três filhos, a carioca Mary del Priore é uma famosa historiadora brasileira. Ela entende bem do assunto “mulher”, pois a pesquisadora vem observando e escrevendo sobre nós há muito tempo. Autora dos best-sellers História das Mulheres no Brasil (1997); História do Amor no Brasil (2005) e Histórias Íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil (2010), ela é da opinião que a mulher brasileira atual – na faixa etária de 20 e 30 anos - vive um grande “boicote”, pois é obrigada a dar conta de muitos afazeres ao mesmo tempo, sendo obrigada a sacrificar alguma coisa em sua vida como a vida amorosa ou a saúde, por exemplo. Ela diz: “Ter que dar conta da vida profissional e da vida privada é dramático”. E completa: “A executiva não deu certo. Ela hipoteca sua vida familiar ou sacrifica seu prazer. Depressão e isolamento se combinam num coquetel regado a botox".

Para entender bem o comportamento feminino brasileiro, em tempos atuais, não há referência melhor em nosso país. A escritora-pesquisadora-historiadora tem, publicados, além das obras já citadas, os seguintes títulos: História da Criança no Brasil (1991); Festas e utopias no Brasil colonial (1994); O príncipe maldito( 2007); Condessa de Barral, a paixão do Imperador( 2008); Matar para não morrer. A morte de Euclides da Cunha e a noite sem fim de Dilermando de Assis( 2009)e A Carne e o Sangue. A Imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos( 2012).

Prêmios? Claro! E muitos: Prêmio do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo da França e da Organização dos Estados Americanos (1992); Prêmio Jabuti (1998) em duas categorias; Prêmio da União Brasileira de Escritores (1998); Prêmio Manoel Bonfim (1998); Prêmio Casa Grande e Senzala (1998); Prêmio Personalidade Cultural do Ano (1998); Prêmio Casa Grande e Senzala (2000); Prêmio Themis CCJF (2004); Prêmio APCA 2008 pela obra O Príncipe Maldito e mais o Prêmio Fundação Biblioteca Nacional 2009 pela obra Condessa de Barral.

Instrua-se, estude-se e compreenda-se lendo Mary del Priore.


quinta-feira, 29 de março de 2012

De volta à infância!


Socióloga por formação e escritora por vocação, Ruth Rocha começou no mundo das letras em 1967, quando foi convidada a escrever artigos sobre educação na revista Cláudia. Orientadora educacional do colégio Rio Branco, em São Paulo, ela entendia bem do assunto “educação” e tinha propriedade para falar dele.
A experiência foi o pontapé inicial para que a jovem orientadora educacional Ruth percebesse que levava jeito para a coisa e não deu outra, tomou gosto pela escrita! Os 15 anos trabalhando na coordenação de uma escola somados ao trabalho de articulista na tal revista fizeram-na transformar-se numa das maiores, senão a maior, escritora infantojuvenil do Brasil. Quem nunca leu ou ouviu falar de Marcelo, Marmelo, Martelo? ! E de Bom dia, Todas as Cores? Esses títulos fizeram parte da coleção de livros de crianças de várias gerações.
Em 1967, quando participou da criação da revista Recreio, da Editora Abril, teve a oportunidade de publicar suas primeiras histórias de ficção, dentre as quais estão: Romeu e Julieta, Meu Amigo Ventinho, Catapimba e Sua Turma, Teresinha e Gabriela e O Dono da Bola. O primeiro livro, Palavra ,Muitas Palavras veio em 1976.
A convivência de quinze anos com crianças e os seus questionamentos fizeram-na uma boa entendedora do universo infantil e, também, juvenil. Não por acaso sua literatura fez imenso sucesso entre os pequenos, não só do Brasil, mas de várias partes do mundo. Muitos de seus livros foram traduzidos em várias línguas.
Monteiro Lobato, outro grande mestre da literatura infantojuvenil brasileira, foi seu “muso” inspirador. As preocupações políticas e sociais do escritor de Taubaté também viraram preocupações de Ruth Rocha. Ela diz: “sou socióloga e tenho uma preocupação muito grande com preconceito, justiça e com a verdade.”
Tanta engenhosidade levou Ruth Rocha a ganhar vários prêmios importantes, dentre os quais estão “cinco Jabutis” - a premiação mais importante da literatura brasileira - , um da Câmara Brasileira do Livro, outro da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, além de uma condecoração, em 1998 , pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.
Desperte a criança que está em você delicie-se no universo encantador de Ruth Rocha!!!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Orgulho feminino nacional


A paixão pela escrita é a grande motivação para a atividade literária desempenhada pela escritora Nélida Piñon.
Brasileira com descendência galega, Nélida se destaca como um dos maiores nomes femininos da produção literária brasileira da contemporaneidade, e ouso dizer, como um dos maiores nomes da literatura mundial.
Pioneira, foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras no biênio 1996-1997, instituição da qual já integrava como imortal desde 1989.
Escritora premiadíssima, coleciona vários dos mais importantes prêmios do mundo literário internacional. Dentre eles, os de maior destaque foram: o Prêmio Príncipe de Astúria das Letras 2005 e o Prêmio Internacional de Literatura Juan Rulfo, em 1995, concedido pela primeira vez a uma mulher e a um autor de língua portuguesa. Recebeu também o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Santiago da Compostela concedido pela primeira vez a uma mulher em 503 anos!
A lista de prêmios importantérrimos que essa carioca de Vila Isabel já recebeu é enorme e seria necessário muito mais que um simples espaço neste blog para descrever,comentar e analisar a importância de cada um deles. A última premiação recebida foi o Casa de las Americas pelo livro Aprendiz de Homero, concedido pelo governo cubano.
A bibliografia da escritora é extensa: Guia-mapa de Gabriel Arcanjo (1961) ; Madeira feita de cruz (1963);Fundador (1969);A casa da paixão (1977);Tebas do meu coração (1974);A força do destino (1977);A república dos sonhos (1984);A doce canção de Caetana (1987);Cortejo do Divino e outros contos escolhidos (2001) e Vozes do deserto (2004) são seus títulos que figuram na categoria romance. Além desses,há outros títulos que se inserem em outras categorias, como por exemplo,memórias: Coração Andarilho (2009); contos: Tempo das frutas (1966),Sala de armas (1973),O calor das coisas (1980), O pão de cada dia(1994); ensaios: O presumível coração da América (2002);Aprendiz de Homero (2008);crônicas: Até amanhã, outra vez (1999) e infanto-juvenil: A roda do vento (1996).
Num país de poucos leitores e muitos analfabetos é incomensurável o valor que a autora possui.Deveríamos nos orgulhar de poder ter entre nós artista tão notável e tão importante.
Busque ler alguma obra de Nélida Piñon e faça sua parte pela valorização do que há de melhor na arte e cultura desse Brasil. Enriqueça-se você também.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A arte de reescrever


Uma escritora livre. Assim se define Lya Luft, uma das mais influentes romancistas brasileiras,autora de vários best-sellers nacionais.
Formada em Letras, a gaúcha começou sua vida profissional como tradutora, ofício que ela diz amar realizar. Prestando um grande serviço à cultura literária brasileira, suas traduções, de ótima qualidade, contabilizam mais de cem obras atualmente.
Porém, foi como escritora que essa artesã da palavra ganhou maior notoriedade. Seus livros estão entre os mais vendidos do Brasil. E muitos foram traduzidos para mais de 15 países.
Começou sua carreira literária escrevendo poesias, depois foi para os contos, até que, após um processo de autodescoberta, resultante de um acidente quase fatal,resolveu enveredar pelos caminhos da ficção romanesca. Sua bibliografia é extensa: Canções de limiar, 1964;Flauta doce, 1972;Matéria do cotidiano, 1978;As parceiras, 1980;A asa esquerda do anjo, 1981;Reunião de família, 1982;O quarto fechado, 1984;Mulher no palco, 1984;Exílio, 1987;O lado fatal, 1989;O rio do meio, 1996;Secreta mirada,1997;O ponto cego, 1999;Histórias do tempo, 2000;Mar de dentro, 2000;Perdas e ganhos, 2003;Histórias de bruxa boa, 2004;Pensar é transgredir, 2004;Para não dizer adeus,2005;Em outras palavras, 2006;O silêncio dos amantes, 2008. Além da grandiosa produção literária e das traduções, escreve uma coluna semanal na revista Veja com o título de "Ponto de vista".
Dizem os especialistas em língua que traduzir uma obra é escrever outra obra, pois cada palavra só existe em significado para o seu próprio idioma. Quando passamos um texto de um idioma para outro, já mudamos o contexto daquele escrito e ele passa a ter outra relação de sentido para o seu leitor. Sendo assim, podemos considerar Lya uma escritora e uma reescritora e se traduzir é reescrever,a autora pode ser definida como uma grande e poderosa tradutora. Da vida e das palavras.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Índio quer papel e caneta


O povo indígena, que em determinada época possuía uma língua ágrafa, transmitia sua cultura através da oralidade. A transmissão dos conhecimentos, crenças e costumes era toda feita através da língua falada. Isso se estendia para a narração de histórias, que era essencialmente oral. Ao fazer contato com o homem branco, índio aprende a escrever, e é através da língua escrita que podemos hoje ter acesso a toda a cultura indígena e o que é melhor, conhecer sua visão dos fatos, seu olhar para o mundo. Tudo isso porque índio agora não só escreve, mas é escritor.
Finalmente temos, no Brasil, literatura indígena, leia-se, literatura feita por índios. Antes, há muitos anos, tínhamos literatura indianista, histórias sobre os índios, cujo maior expoente foi José de Alencar, com seu O Guarani. Mas faz um certo tempo que um grupo de escritores indígenas vem fazendo barulho no cenário literário brasileiro. Dentre esses escritores destaca-se um nome, Eliane Potiguara. Mulher, índia e escritora. Representante de duas minorias, uma social e outra étnica, a escritora produziu bastante coisa de significativo para o mundo da literatura.
Além de escritora, é poetisa, contadora de histórias e professora formada em Letras. Criou a primeira organização de mulheres indígenas do país: Grumin (Grupo Mulher-Educação Indígena). Participou da elaboração da “Declaração Universal dos Direitos Indígenas”, na ONU em Genebra. Escreveu três livros: A terra é a mãe do índio (1989);Akajutibiró, terra do índio potiguara (1994) e o mais recente, Metade cara , metade máscara. Possui,além dessas obras,outros textos dispersados em jornais, sites e revistas. Foi indicada para receber o prêmio Nobel da Paz por sua luta pela causa indígena no ano de 2005. Criou o primeiro jornal indígena e fez vários boletins conscientizadores, além de uma cartilha de alfabetização indígena no método Paulo Freire com apoio da Unesco. Participa de várias conferências, palestras e encontros, tanto pela defesa do direito dos índios como pela sua produção literária. Eu mesma já assiti a uma de suas palestras na Univesidade do Estado do Rio de Janeiro no I Encontro de escritores indígenas no ano passado.Ufa, é muita tarefa para uma mulher só. E não é só isso.Tem muito mais coisa que Eliane vem fazendo por aí e que não caberia em um texto só. Enfim, uma mulher guerreira e revolucionária, como todos os índios e todas as mulheres. Uma ótima representante da nossa causa também!