sábado, 19 de julho de 2008

Entre indagações e reflexões.






Romancista, poetisa e cronista. Com esses três substantivos (ou adjetivos) podemos definir (ou qualificar) a escritora gaúcha Martha Medeiros.
Com duas colunas semanais - uma no jornal Zero Hora, de Porto Alegre e outra no jornal O Globo, do Rio de Janeiro - a escritora se destacou no cenário literário brasileiro.
Formada em Publicidade e Propaganda, decidiu começar a escrever durante uma estada em Santiago, no Chile. Começou escrevendo poesias e, quando retornou ao Brasil, passou a publicar crônicas em jornais. Daí sua carreira literária deslanchou.
A biografia da autora ( Strip-Tease/ 1985 ; Seguiram-se Meia noite e um quarto /1987;Persona non grata /1991; De cara lavada /1995; Poesia Reunida/ 1998; Geração Bivolt /1995; Topless/1997; Santiago do Chile /1996; Trem-Bala /1999; Cartas Extraviadas e Outros Poemas /2001; Non-stop /2001 ; Divã /2002 ; Montanha russa/ 2003 ; Esqusita como eu - Infantil /2004; Tudo que eu queria te dizer/ 2007) é bastante extensa e diversificada.
Eu, particularmente, gosto bastante de suas crônicas que são publicadas na coluna "Ela disse" na Revista O Globo, as quais eu leio todos os domingos. Lembra-me bastante Clarice Lispector quando era colunista do JB. Os textos desta, reunidos posteriormente no livro A descoberta do mundo, compartilham muito do pensamento de Martha Medeiros sobre a escrita: escrever é se delatar. Clarice Lispector sofria com isso e Martha também parece se incomodar bastante com a exposição de sua intimidade através de seus textos.
A diferença é que Clarice fazia a si mesma, por meio de seus textos , indagações sobre o que seria escrever crônicas , deixando claro que não gostava de se expor nas mesmas. Já Martha não põe essas questões em suas crônicas. Deixa-se levar apenas pelo tema a que se propõe discutir e não sobre como se sente em relação ao ato da escrita. Sabemos apenas como ela se sente em relação ao seu ofício através de outros meios, como por exemplo, seu blog, onde ela pergunta retoricamente: "Escrever é se expor, não é?"
Clarice, em suas crônicas, refletia sobre o próprio ato da escrita e recusava-se a tratar de um assunto exterior a si. Já Martha faz a transposição de questões do mundo exterior para o papel, passando por uma apurada e inteligente reflexão interior, sem qualquer problema. E o faz com uma competência de cair o queixo.
Agora, a colunista se prepara para lançar uma coletânea de crônicas cujo título será Doidas e santas. Aguardamos com ansiedade!

4 comentários:

Etiene disse...

Adorei o post.
Não sabia que Clarice Lispector havia escrito para o JB.
E com certeza escrever é se expor. Porque somos um pedaço de tudo aquilo que escrevemos.

*.*Allegr!a*.* disse...

Salve Salve...
Martha Medeiros, Clarice Lispector, Adriana Falcão, e todas as mulheres que escrevem e mudam percepções.
Mulheres em top less, num trem bala, traduzidas num pequeno dicionário de palavras ao vento...
Adorei o espaço.
beijo

*.*Allegr!a*.* disse...

E obviamente Salve Raela, sem mulheres que divulgam e mulheres que lêem, mulheres que escrevem perdem um pouco do sentido!

Ps: Nada de papo mulherzinha, é apenas uma questão de gênero.
Obrigada pelas suas palavras lá no meu Pa╚avras...
Beijo, e volto sempre!

colocarei seu link lá.!

Janaaa! disse...

Engraçado...
Para mim, escrever sempre foi se esconder.



Um beijo.

Ps.: te achei numa comunidade de Blogs Literários.