sábado, 2 de agosto de 2008

Abrindo o diário...




O filme recém-lançado nos cinemas, Nome Próprio, foi inspirado na primeira blogueira a ficar famosa no país, Clarah Averbuck, cujos livros, Máquina de Pinball e Vida de Gato serviram como base de criação do roteiro.
Tudo começou há 10 anos quando, antes de existirem blogs, Clarah publicava no site da Casa de cinema de Porto Alegre. Depois, virou colunista do fanzine CardosOnline. Quando este acabou, a gaúcha resolveu criar um blog , o brazileira!preta, que fez muito sucesso por ser pioneiro e por ter como tema central a intimidade da própria autora.
Imaginem a sensação deliciosa de ler tudo sobre a vida de outra pessoa, seus medos, frustrações, opiniões, pensamentos, mas na internet, pra todo mundo que quisesse ver. Não era mais necessário roubar aquela chavezinha para ter acesso ao conteúdo de um diário muito bem escondido, como costumavam fazer, antigamente, os irmãos ou pais para descobrirem os segredos da sua irmãzinha ou filhinha. Estava tudo ali, para quem quisesse ver. A chave, um endereço da web. O diário, o computador. E os curiosos não eram mais a parentela, e sim, qualquer um que não a conhecesse, mas que quisesse saber sobre sua vida.
A primeira vez que os brasileiros puderam conhecer essa nova forma de se expor foi com Clarah Averbuck e seus textos. Não é de admirar o número elevado de visitas diárias que o blog recebia. O brazileira!preta foi criado em 2002 e serviu , além da exposição pública da intimidade da autora, para publicar trechos do romance que estava escrevendo, o Máquina de Pinball , que deu origem ao referido filme em cartaz, dirigido por Murilo Salles. No ano seguinte veio o Das coisas esquecidas atrás da estante, que, ao contrário do primeiro, é uma coletânea de textos do blog. Em 2004 saiu Vida de gato, seu segundo romance.
Atualmente a escritora mantém o blog Adiós Lounge já que o outro foi desativado após um longo período de afastamento da autora. Além disso, está escrevendo quatro livros: o romance Toureando o Diabo; uma novela infanto-juvenil Eu Quero Ser Eu; um livro de crônicas chamado Cidade Grande no Escuro e um outro em parceria com Eva Uviedo, Nossa Senhora da Pequena Morte.
Haja fôlego!

sábado, 19 de julho de 2008

Entre indagações e reflexões.






Romancista, poetisa e cronista. Com esses três substantivos (ou adjetivos) podemos definir (ou qualificar) a escritora gaúcha Martha Medeiros.
Com duas colunas semanais - uma no jornal Zero Hora, de Porto Alegre e outra no jornal O Globo, do Rio de Janeiro - a escritora se destacou no cenário literário brasileiro.
Formada em Publicidade e Propaganda, decidiu começar a escrever durante uma estada em Santiago, no Chile. Começou escrevendo poesias e, quando retornou ao Brasil, passou a publicar crônicas em jornais. Daí sua carreira literária deslanchou.
A biografia da autora ( Strip-Tease/ 1985 ; Seguiram-se Meia noite e um quarto /1987;Persona non grata /1991; De cara lavada /1995; Poesia Reunida/ 1998; Geração Bivolt /1995; Topless/1997; Santiago do Chile /1996; Trem-Bala /1999; Cartas Extraviadas e Outros Poemas /2001; Non-stop /2001 ; Divã /2002 ; Montanha russa/ 2003 ; Esqusita como eu - Infantil /2004; Tudo que eu queria te dizer/ 2007) é bastante extensa e diversificada.
Eu, particularmente, gosto bastante de suas crônicas que são publicadas na coluna "Ela disse" na Revista O Globo, as quais eu leio todos os domingos. Lembra-me bastante Clarice Lispector quando era colunista do JB. Os textos desta, reunidos posteriormente no livro A descoberta do mundo, compartilham muito do pensamento de Martha Medeiros sobre a escrita: escrever é se delatar. Clarice Lispector sofria com isso e Martha também parece se incomodar bastante com a exposição de sua intimidade através de seus textos.
A diferença é que Clarice fazia a si mesma, por meio de seus textos , indagações sobre o que seria escrever crônicas , deixando claro que não gostava de se expor nas mesmas. Já Martha não põe essas questões em suas crônicas. Deixa-se levar apenas pelo tema a que se propõe discutir e não sobre como se sente em relação ao ato da escrita. Sabemos apenas como ela se sente em relação ao seu ofício através de outros meios, como por exemplo, seu blog, onde ela pergunta retoricamente: "Escrever é se expor, não é?"
Clarice, em suas crônicas, refletia sobre o próprio ato da escrita e recusava-se a tratar de um assunto exterior a si. Já Martha faz a transposição de questões do mundo exterior para o papel, passando por uma apurada e inteligente reflexão interior, sem qualquer problema. E o faz com uma competência de cair o queixo.
Agora, a colunista se prepara para lançar uma coletânea de crônicas cujo título será Doidas e santas. Aguardamos com ansiedade!

domingo, 6 de abril de 2008

Como se faz para chegar em Marte?



E você, senhorita? Já passou de uma certa idade e ainda não arranjou namorado ou não se casou? Não consegue parar com ninguém e todos os seus relacionamentos dão errado antes mesmo de começarem? Sua vida amorosa está empacada e mal-resolvida? Então, amiga, bem-vinda ao clube das encalhadas!
Foi a partir das situações próprias deste perfil feminino que Mônica Martelli escreveu sua peça: Os homens são de Marte.... E é pra lá que eu vou. Situações essas, que a própria conheceu muito bem.
Mônica Martelli já foi maquiadora, modelo e fez várias participações em programas e novelas da Rede Globo. Porém, nunca havia feito nada de significativo na sua profissão de atriz, apesar de já ter se formado na CAL(Casa da Artes de Laranjeiras). Estava numa pindaíba quando resolveu fazer uma vaquinha na família e arriscar a montagem de uma peça teatral. Decidiu escrever um texto a partir de suas frustradas experiências amorosas. Peça montada, texto pronto e a própria Mônica como intérprete. Não deu outra: a peça está sendo um sucesso.
Retratando as peripécias de Fernanda, uma jornalista solteira de 35 anos em busca do homem ideal, a peça parte para o lado humorístico dos encontros e desencontros típicos da mulher desesperada para casar. Seu sucesso se deve principalmente à identificação direta do público feminino, posto que retrata o perfil da mulher do século XXI: independente e bem-sucedida finaceiramente, mas... infeliz no amor.
Agora, Os homens são de Marte... E é pra lá que eu vou - que está na promessa de se transformar em filme e livro - virou referência para mulheres que, assim como sua autora, passam ou passaram por dificuldades de se encontrar no amor. "Não era pra ser" virou bordão da mulherada que se reconhece na peça.
E você, também se reconheceu? Fique tranqüila, pois acontece nas melhores famílias. Mas, a propósito, como se faz para chegar em Marte?

sexta-feira, 21 de março de 2008

Muito além das aparências...






Uma ex-stripper e ex-atendente de telessexo de apenas 29 anos, com um vestido decotado de oncinha que deixa à mostra suas curvas e tatuagens, sobe ao palco de um suntuoso teatro para receber o prêmio máximo do cinema mundial pelo roteiro original de seu primeiro filme.
Que parte mais te surpreendeu?
Confesso que senti grande admiração por Diablo Cody (esse é seu nome artístico) nem tanto pelo seu estilo, mas por sua ousadia. Para mim, ela rompeu barreiras e desfez estereótipos. Eu a considero uma vanguardista da nova figura feminina. Figura esta que se assume sem medo e sem culpa. Há um certo tempo atrás, ser ex-stripper era motivo de humilhação e vergonha para qualquer mulher. Mas, atualmente, mais precisamente depois de Diablo Cody ter ganhado o Oscar, ser ex-stripper pode ser entendido de maneira diferente.O fato foi bastante evidenciado, o que ajudou a chamar atenção para a sua figura e para o seu trabalho. Apesar da aparência exótica, do jeito debochado e do passado agitadinho, Diablo Cody é na verdade uma nerd.
Brook Busey (esse é seu nome original) se formou em Comunicação Social e já escrevia há tempos em blogs. Trabalhou primeiro como secretária e depois como publicitária. E foi na agência de publicidade que descobriu que aquele trabalho não era para ela. Então decidiu virar stripper e fazer umas horinhas como atendente de telessexo. De dia trabalhava como uma boa moça e à noite...soltava a fera. “Não foi por necessidade, mas por vontade própria”, diz ela. Brook não gostava da rotina do escritório, precisava de um pouquinho mais de emoção.
Quando se cansou dessa vida noturna, decidiu escrever um livro: Candy Girl: a year in the life of na unlikely stripper (Garota doce: um ano na vida de uma stripper improvável). E foi então que viu sua vida deslanchar. O livro fez sucesso, vendeu bastante e Diablo vislumbrou um grande futuro como escritora. Foi convidada a escrever um roteiro e, já em sua estréia no mundo do cinema, ganhou o Oscar. Parece que a galinha dos ovos de ouro foi mesmo o pedaço de sua vida que ela não fez questão de esconder.
Agora foi contratada pela Dreamworks para trabalhar ao lado de Steven Spielberg na produção de uma nova série chamada “The united States of Tara” e já tem mais três roteiros preparadíssimos para serem filmados no ano que vem.
Virei fã!