domingo, 18 de novembro de 2012

Muitas histórias para contar




“A Barbie ensina as crianças a serem putas”; “Acho que o grande problema das mulheres brasileiras é que elas são extremamente machistas”; “ Acho que o funk produziu um machismo de saias”. Você pode não concordar com estas frases, mas quem as pronunciou é autoridade máxima no assunto “comportamento feminino”: Mary Lucy Murray del Priore.

Ex- Professora de universidades de porte, como USP e PUC-RIO, vencedora de mais ou menos 10 prêmios – dentre eles um Jabuti - , pós-doutora pela Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales e mãe de três filhos, a carioca Mary del Priore é uma famosa historiadora brasileira. Ela entende bem do assunto “mulher”, pois a pesquisadora vem observando e escrevendo sobre nós há muito tempo. Autora dos best-sellers História das Mulheres no Brasil (1997); História do Amor no Brasil (2005) e Histórias Íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil (2010), ela é da opinião que a mulher brasileira atual – na faixa etária de 20 e 30 anos - vive um grande “boicote”, pois é obrigada a dar conta de muitos afazeres ao mesmo tempo, sendo obrigada a sacrificar alguma coisa em sua vida como a vida amorosa ou a saúde, por exemplo. Ela diz: “Ter que dar conta da vida profissional e da vida privada é dramático”. E completa: “A executiva não deu certo. Ela hipoteca sua vida familiar ou sacrifica seu prazer. Depressão e isolamento se combinam num coquetel regado a botox".

Para entender bem o comportamento feminino brasileiro, em tempos atuais, não há referência melhor em nosso país. A escritora-pesquisadora-historiadora tem, publicados, além das obras já citadas, os seguintes títulos: História da Criança no Brasil (1991); Festas e utopias no Brasil colonial (1994); O príncipe maldito( 2007); Condessa de Barral, a paixão do Imperador( 2008); Matar para não morrer. A morte de Euclides da Cunha e a noite sem fim de Dilermando de Assis( 2009)e A Carne e o Sangue. A Imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos( 2012).

Prêmios? Claro! E muitos: Prêmio do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo da França e da Organização dos Estados Americanos (1992); Prêmio Jabuti (1998) em duas categorias; Prêmio da União Brasileira de Escritores (1998); Prêmio Manoel Bonfim (1998); Prêmio Casa Grande e Senzala (1998); Prêmio Personalidade Cultural do Ano (1998); Prêmio Casa Grande e Senzala (2000); Prêmio Themis CCJF (2004); Prêmio APCA 2008 pela obra O Príncipe Maldito e mais o Prêmio Fundação Biblioteca Nacional 2009 pela obra Condessa de Barral.

Instrua-se, estude-se e compreenda-se lendo Mary del Priore.


quinta-feira, 29 de março de 2012

De volta à infância!


Socióloga por formação e escritora por vocação, Ruth Rocha começou no mundo das letras em 1967, quando foi convidada a escrever artigos sobre educação na revista Cláudia. Orientadora educacional do colégio Rio Branco, em São Paulo, ela entendia bem do assunto “educação” e tinha propriedade para falar dele.
A experiência foi o pontapé inicial para que a jovem orientadora educacional Ruth percebesse que levava jeito para a coisa e não deu outra, tomou gosto pela escrita! Os 15 anos trabalhando na coordenação de uma escola somados ao trabalho de articulista na tal revista fizeram-na transformar-se numa das maiores, senão a maior, escritora infantojuvenil do Brasil. Quem nunca leu ou ouviu falar de Marcelo, Marmelo, Martelo? ! E de Bom dia, Todas as Cores? Esses títulos fizeram parte da coleção de livros de crianças de várias gerações.
Em 1967, quando participou da criação da revista Recreio, da Editora Abril, teve a oportunidade de publicar suas primeiras histórias de ficção, dentre as quais estão: Romeu e Julieta, Meu Amigo Ventinho, Catapimba e Sua Turma, Teresinha e Gabriela e O Dono da Bola. O primeiro livro, Palavra ,Muitas Palavras veio em 1976.
A convivência de quinze anos com crianças e os seus questionamentos fizeram-na uma boa entendedora do universo infantil e, também, juvenil. Não por acaso sua literatura fez imenso sucesso entre os pequenos, não só do Brasil, mas de várias partes do mundo. Muitos de seus livros foram traduzidos em várias línguas.
Monteiro Lobato, outro grande mestre da literatura infantojuvenil brasileira, foi seu “muso” inspirador. As preocupações políticas e sociais do escritor de Taubaté também viraram preocupações de Ruth Rocha. Ela diz: “sou socióloga e tenho uma preocupação muito grande com preconceito, justiça e com a verdade.”
Tanta engenhosidade levou Ruth Rocha a ganhar vários prêmios importantes, dentre os quais estão “cinco Jabutis” - a premiação mais importante da literatura brasileira - , um da Câmara Brasileira do Livro, outro da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, além de uma condecoração, em 1998 , pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.
Desperte a criança que está em você delicie-se no universo encantador de Ruth Rocha!!!