terça-feira, 29 de setembro de 2009

A arte de reescrever


Uma escritora livre. Assim se define Lya Luft, uma das mais influentes romancistas brasileiras,autora de vários best-sellers nacionais.
Formada em Letras, a gaúcha começou sua vida profissional como tradutora, ofício que ela diz amar realizar. Prestando um grande serviço à cultura literária brasileira, suas traduções, de ótima qualidade, contabilizam mais de cem obras atualmente.
Porém, foi como escritora que essa artesã da palavra ganhou maior notoriedade. Seus livros estão entre os mais vendidos do Brasil. E muitos foram traduzidos para mais de 15 países.
Começou sua carreira literária escrevendo poesias, depois foi para os contos, até que, após um processo de autodescoberta, resultante de um acidente quase fatal,resolveu enveredar pelos caminhos da ficção romanesca. Sua bibliografia é extensa: Canções de limiar, 1964;Flauta doce, 1972;Matéria do cotidiano, 1978;As parceiras, 1980;A asa esquerda do anjo, 1981;Reunião de família, 1982;O quarto fechado, 1984;Mulher no palco, 1984;Exílio, 1987;O lado fatal, 1989;O rio do meio, 1996;Secreta mirada,1997;O ponto cego, 1999;Histórias do tempo, 2000;Mar de dentro, 2000;Perdas e ganhos, 2003;Histórias de bruxa boa, 2004;Pensar é transgredir, 2004;Para não dizer adeus,2005;Em outras palavras, 2006;O silêncio dos amantes, 2008. Além da grandiosa produção literária e das traduções, escreve uma coluna semanal na revista Veja com o título de "Ponto de vista".
Dizem os especialistas em língua que traduzir uma obra é escrever outra obra, pois cada palavra só existe em significado para o seu próprio idioma. Quando passamos um texto de um idioma para outro, já mudamos o contexto daquele escrito e ele passa a ter outra relação de sentido para o seu leitor. Sendo assim, podemos considerar Lya uma escritora e uma reescritora e se traduzir é reescrever,a autora pode ser definida como uma grande e poderosa tradutora. Da vida e das palavras.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Índio quer papel e caneta


O povo indígena, que em determinada época possuía uma língua ágrafa, transmitia sua cultura através da oralidade. A transmissão dos conhecimentos, crenças e costumes era toda feita através da língua falada. Isso se estendia para a narração de histórias, que era essencialmente oral. Ao fazer contato com o homem branco, índio aprende a escrever, e é através da língua escrita que podemos hoje ter acesso a toda a cultura indígena e o que é melhor, conhecer sua visão dos fatos, seu olhar para o mundo. Tudo isso porque índio agora não só escreve, mas é escritor.
Finalmente temos, no Brasil, literatura indígena, leia-se, literatura feita por índios. Antes, há muitos anos, tínhamos literatura indianista, histórias sobre os índios, cujo maior expoente foi José de Alencar, com seu O Guarani. Mas faz um certo tempo que um grupo de escritores indígenas vem fazendo barulho no cenário literário brasileiro. Dentre esses escritores destaca-se um nome, Eliane Potiguara. Mulher, índia e escritora. Representante de duas minorias, uma social e outra étnica, a escritora produziu bastante coisa de significativo para o mundo da literatura.
Além de escritora, é poetisa, contadora de histórias e professora formada em Letras. Criou a primeira organização de mulheres indígenas do país: Grumin (Grupo Mulher-Educação Indígena). Participou da elaboração da “Declaração Universal dos Direitos Indígenas”, na ONU em Genebra. Escreveu três livros: A terra é a mãe do índio (1989);Akajutibiró, terra do índio potiguara (1994) e o mais recente, Metade cara , metade máscara. Possui,além dessas obras,outros textos dispersados em jornais, sites e revistas. Foi indicada para receber o prêmio Nobel da Paz por sua luta pela causa indígena no ano de 2005. Criou o primeiro jornal indígena e fez vários boletins conscientizadores, além de uma cartilha de alfabetização indígena no método Paulo Freire com apoio da Unesco. Participa de várias conferências, palestras e encontros, tanto pela defesa do direito dos índios como pela sua produção literária. Eu mesma já assiti a uma de suas palestras na Univesidade do Estado do Rio de Janeiro no I Encontro de escritores indígenas no ano passado.Ufa, é muita tarefa para uma mulher só. E não é só isso.Tem muito mais coisa que Eliane vem fazendo por aí e que não caberia em um texto só. Enfim, uma mulher guerreira e revolucionária, como todos os índios e todas as mulheres. Uma ótima representante da nossa causa também!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A mártir e a escritora



Há sessenta anos atrás, era lançado na França um livro chamado O segundo sexo. Na obra em questão era feita uma análise das condições da mulher propondo novas ideias para uma igualdade de direitos entre os sexos feminino e masculino. O nome da autora: Simone de Beauvoir, escritora-filósofa existencialista que ajudou, e muito, a repensar o papel da mulher na sociedade contemporânea, incitando movimentos feministas que trouxeram grandes ganhos ao revolucionarem o comportamento feminino atual.
Não poderia, o Mulheres que escrevem, deixar de homenagear o aniversário de uma importantíssima obra que discutiu e colaborou para que o mundo pensasse mais nas questões femininas. Lembrando que, é claro, ainda há muito a conquistar nesse campo. O exemplo mais atual é a morte de uma jovem chamada Neda Agha Soltan, que nas ruas do Teerã protestava contra a falta de liberdade imposta pelo governo( leia-se “pela religião”) às mulheres em seu país.
É importante frisar que o preconceito, o autoritarismo e a repressão contra a mulher ainda existem, em maior ou em menor grau. Dentro de alguns lares, em algumas culturas e em alguns países esses retrocessos chegam a níveis altíssimos de intolerância, o que faz do livro de Simone de Beauvoir continuar sendo, infelizmente, atualíssimo.

domingo, 26 de abril de 2009

Nada ficou no lugar.


A cantora Adriana Calcanhoto é muito mais que uma excelente intérprete. Uma das maiores expoentes do cenário musical brasileiro contemporâneo é, além de uma das vozes mais apreciadas da MPB, uma ótima compositora.
Seu repertório musical está entre os mais executados por cantores de barzinhos e churrascarias pelo Brasil afora. Quem nunca foi a um restaurante com cover artístico e ouviu algumas de suas canções? Composição à la Calcanhoto é assim: aquele tipo de letra que fala às mais diversas situações da vida sentimental e amorosa de qualquer ser humano, mas com um gosto e requinte poético que em nada lembram a pieguice ou as rimas fáceis da maioria das canções de amor.
Refinamento artístico é uma das características das composições de Adriana, pois ela recria em palavras momentos tão corriqueiros e ao mesmo tempo complexos com a simplicidade e profundidade que refletem bem o paradoxo desse sentimento chamado amor.
E ela é um bom exemplo de mulher que escreve. Além de compor, Adriana também escreveu um livro recentemente: Saga lusa - o relato de uma viagem, de 2008. Neste, ela conta suas peripécias da viagem que fez a Portugal pela turnê do seu último cd, Maré.
Vem, vambora correndo pra mais essa leitura!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Tipo assim...




O mundinho das adolescentes nunca mais foi o mesmo desde que Thalita Rebouças foi descoberta pelo mercado editorial.
Com suas séries de livros sobre o universo cor-de-rosa das meninas entre 11 e 18 anos, a escritora se tornou um ícone literário para esse grupo, revelando-se uma expert na abordagem literária dos assuntos preferidos dessa fase cheia de dilemas.
Muitas adolescentes estão descobrindo o mundo da leitura através de: Fala sério, mãe; Fala sério, professor; Fala sério, amor; Fala sério, amiga; Tudo por um pop-star; Tudo por um namorado;Tudo por um feriado; Traição entre amigas e Uma fada veio me visitar.
Além de exercer o ofício de escritora, a também jornalista mantém uma coluna na revista Atrevida, chamada Fala, sério! (sua expressão chave) e atualiza um blog e um site, onde mantém as fãs leitoras informadas sobre o seu trabalho. Estão na promessa mais dois livros: Fala sério, pai e um outro, ainda sem título, que terá um menino como protagonista. Seria bastante interessante se suas histórias virassem filmes. Acredito que faria um enorme sucesso entre o público teen.
Se você não é adolescente e não leu os livros, vale a pena visitar o blog( thalita - reboucas. blogspot.com) e o site(www.thalita.com) para ler suas crônicas e textos. Ela tem um bom humor contagiante. É diversão garantida!